7 de novembro de 2015

            Oi, Bê.
            O único motivo para eu ainda te mandar cartas – além do fato de você dizer que gosta e de que lê todas – é que eu vejo esse meio como o meio menos invasivo para falar contigo.
            Acho que você não vai gostar de ler essa carta, pois eu vou desabafar aqui.

            Eu choro, sabia? Sempre. É incrível, pois as pessoas não acreditam nisso. Quando a Ana veio aqui em casa, pois ficou preocupada comigo, eu não consegui chorar na frente dela, e já tinha feito isso antes. Eu quase chorei, mas não chorei. O motivo é que eu não queria parecer tão frágil pelo o que aconteceu. E, ao mesmo tempo, eu sinto que todo mundo sabia, de alguma forma, que terminamos, mas ficam perguntando como estamos e o que aconteceu. E depois do que houve eu entendi quem é quem. Quem eram de verdade os que eu chamava de amigos e se estava certa em chamar alguns de colegas ou conhecidos. Hoje eu conheço muitos, sou colegas de poucos e amiga de 3. E acho que 3 ainda é muito, pois eu me sinto tão só todo o tempo. Eu deveria me acostumar com minha presença, pois é só ela que me resta por aqui, mas ainda não consegui. E ainda fico impressionada em como as pessoas acham que eu deveria lidar com a situação. Percebi que ninguém tá nem ai. Quer dizer, ninguém tirando você e esses três. O resto só sabe falar “não fica assim”, “vai passar”, “você vai arranjar outro” (meu cu), “ele não te merece”, e essas coisas de gente retardada. Só três me falaram o que realmente serviu para alguma coisa “não interessa o que aconteceu, vocês se amam, isso é o que importa”, “você é inteligente o suficiente para passar por tudo isso” e “eu vou bater no Beto”, só que eu falei pra ultima pessoa não te bater, ai ela me disse “então vou chamar ele e xingar ele”, ai eu falei “não, você não vai”, ai a pessoa riu. Enfim! Eu fico fazendo o que mais gosto, quando posso: música, livros, seriados, faculdade... Inclusive, eu comecei a assistir Supernatural. É legal... Ontem vi um episódio que contigo quando eu estava ai na sua casa, e ontem ele fez bem mais sentido.^^
            Mas quando eu descuido, eu choro.
            Você sabe, eu já chorei na sua frente. Chorei pela minha mãe, chorei por nós dois, chorei por trampo que não deu certo, chorei por telefone... E como você diria: SÓ CHORA! E choro sim, eu sou humana. Queria ser um ET, seria mais divertido, principalmente pelo fato de não viver aqui com esse bando de macaco (sem ofensa, eu amo você, macaco), mas sou humana, mesmo. Fazer o quê?
            Choro de saudades. Choro de medo. Choro de lembranças. Choro de planos. Choro de insegurança. Choro de incerteza. Choro de ociosidade. Choro de ansiedade. Choro de ciúmes. Choro por antecipação. Choro de preocupação. Choro de desejo. Choro por sonhos. Choro até quando não tem motivo. Basta ver uma foto sua: choro. Ouvir uma música de algum cantor que tu curte ou que me lembre de você: choro. Sempre que penso no que você pensa: choro. Sempre que penso que existe um monte de vagabundas loucas pra dar pra você: choro. Fico puta, na maioria das vezes, mas eu choro, também. Quando penso que vou ter que quebrar minha promessa pra você, ai eu choro mesmo, passo até mal. Você sabe que te stalkeio, e sempre acho seus compartilhamentos bonitos, mas às vezes alguns me fazem chorar, também. Uma coisa que você já compartilhou algumas vezes: saudade é o único sentimento que quando é muito grande escorre pelos olhos, ou coisa assim. E é por isso, a maior parte do tempo que eu choro: saudades.
            Eu simplesmente não queria sentir saudades de você. Pois eu sinto saudades de uma porrada de coisas e não choro por elas, mas por você... Vou te passar uma analogia, pra não ficar tão *chora* *chora* *chora*. Há, diante dos meus olhos, tudo o que aconteceu, e há portas para onde eu devo fugir para escapar do que está acontecendo e me machucando. Mas somente UMA porta vai me levar a passar por tudo isso. Até agora, todas as portas que eu abri só me levam de volta para o momento onde eu estou vendo tudo o que aconteceu e que me machuca.
            Não sei quando vai parar de doer. Eu acho que nunca.
            Sei lá, méo, eu não vou repetir o que já disse... Você já sabe, mas não se esquece, tá? Me sinto uma idiota falando isso, não sei o porquê.

            Eu acho que você odiou essa carta, mas eu disse que ia desabafar.

            Se eu tivesse a oportunidade, de um dia, só um diazinho, ter você só pra mim. Só 24h. Sem ninguém no mundo, igual da ultima vez eu nos vimos, sem nada mais importar... Eu ia conseguir dormir sem desejar não acordar. Ou voltar no tempo e te impedir de passar por tudo aquilo que passou comigo. Iria dormir sem culpa.
            Inclusive, eu não sei se você já me perdoou ou não. E sempre que eu me pergunto isso eu choro, pois me sinto culpada. Eu sei que a culpa é minha. SÓ CHORA!
            Acho que consegui relaxar um pouquinho. Foi mal, ai, te fazer ler isso tudo. Eu só queria um abraço seu. Eu realmente quero.

            E acho que essa foi a pior carta que já escrevi. *hihihi*